PROJETOS
Diante dos altos índices de tensão e de condutas de risco que vêm se instalando nas escolas de muitos bairros da cidade, principalmente em escolas da rede pública de ensino, como agressões verbais e físicas dirigidas por alunos contra professores, assédio de traficantes e abuso de drogas na porta das escolas, adolescentes com déficit de atenção e dispersas em sala de aula porque passaram a noite envolvidas com programas sexuais, o aumento da insegurança e da incidência de homicídios, o que tem preocupado e até angustiado o corpo docente e a direção dessas escolas, os quais por mais que se empenhem na busca de alternativas de solução para estes graves problemas, essas alternativas não têm sido suficientes para gerar os resultados esperados.
Nos dias atuais valorizar a vida tem sido um desafio, pois, em meio a tanta banalidade que o mundo oferece é preciso criar mecanismos que possam reverter essa situação de desigualdade, violência, drogas e outros fatores que contribuem para que a sociedade se torne cada vez mais caótica.
São muitos os caminhos que conduzem os jovens e adolescentes de Belo Horizonte à violência e são poucas ainda as alternativas que levam à superação. Nessas estradas perigosas, eles cruzam com o tráfico de drogas, com a insegurança, com o abuso sexual e, muitas vezes, chegam ao extremo: a morte. Essa realidade já foi comprovada por uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que entrevistou 880 estudantes, com idade entre 14 e 24 anos, de escolas públicas de Belo Horizonte. A pesquisas abordou sobre criminalidade, entorpecentes, sexualidade, ensino, convivência familiar e auto-estima, e ao final mostrou os dramas e a angústia desta geração.
Os números mais assustadores se referem ao ambiente de violência e vulnerabilidade social a que estão expostos os entrevistados. 60,3% dos jovens ouvidos vivem sob a ameaça do tráfico de drogas na comunidade, sendo que mais de um terço (36,6%) já presenciou tiroteios. Quanto à insegurança, 38,6% disseram já terem sido roubados.. 35,8% disseram não acreditar nas instituições públicas.
Esse quadro de vulnerabilidade cria terreno fértil para o avanço das drogas e para os riscos que elas trazem. A maioria dos estudantes (57,8%) já usou substâncias ilícitas, como “loló” (mistura volátil e entorpecente, consumida por inalação), maconha, cocaína e crack. Desinibição, sensação de coragem ou simplesmente diversão respondem por 41,7% dos motivos para uso de drogas. Tentativa de esquecer os problemas e a tristeza aparecem em seguida nos gráficos, com 15,6%, e depois vem a influência dos amigos (4,4%). Também chamou atenção o índice de tentativa de suicídio entre o público analisado. Usando facas, revólveres e principalmente remédios, 10,6% já tentaram se matar, sendo que quase a metade atentou contra a própria vida mais de uma vez.
Mas a pesquisa também apontou as perspectivas desse mesmo publico entrevistado quanto ao que chamou de “vias seguras e bases sólidas” para a vida. A maioria dos jovens (58%) classificou a escola como boa ou muito boa, 80,8% disseram acreditar que ela é o caminho para alcançar seus sonhos e 41,7% disseram confiar plenamente nos professores. 72,6% dos adolescentes e jovens entrevistados disseram que a família é um “porto seguro”.
A realidade apontada por essa pesquisa e mais a violência nas escolas desfechadas não apenas contra a comunidade escolar, mas contra os próprios contra professores, o que vem aumentado dia a dia assustadoramente, nos inspiraram a pensar o Projeto AÇÃO PRÓ-VIDA. Acreditamos que sua implantação dará uma grande contribuição à família e a sociedade mineira na luta para a diminuição e reversão dessas tristes realidades.